Ela voltou diferente. Dos pés à cabeça, não é a mesma. A cor da pele pintou a alma de dourado. A praia fez bem, e ela não é mais a mesma. Dos olhos cor de mar, e às vezes de céu, o brilho tomou conta. E ela chora e ri, igual, mas não é mais a mesma. Do caminhar leve, pés descalços, sente o calor que vem do chão e o frio que vinha de dentro, ainda é frio, mas ela não é mais a mesma. Das mãos cansadas de tanto pedir, agora descansam sobre a própria cintura em pose de pop star, que também não é mais a mesma. Do olhar que entregava tudo, continua entregando, mas mesmo assim, não é mais a mesma. Daquele amor incorrigível ficou a certeza de ser mesmo incorrigível. Mas ela não é mais a mesma. E nem o amor...
Dos passos cansados de tanto seguir outros passos, parou, e agora não é mais a mesma. Do jeito expansivo de querer sempre mais, nada mudou, mas ela mudou. Daquela pressa muitas vezes incompreendida, agora é calma e não mais a mesma. Daquele tempo que não queria perder, não é mais a mesma e não pode perder. Daquela consciência de que a vida não pára, descobriu não parar mesmo, e nunca mais a mesma.
Da paciência firme e decidida, veio a sede irresistível e impossível de conter. Ninguém a conterá mais, porque apesar de ainda ser ela, a bela e amante incorrigível, ela não quer mais o que queria. Ela não é mais a mesma. Ela voltou diferente.
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