18.10.10

Orgulho de ser sua mulher

Enquanto arruma a mala para viajar ela percebe que não tem mais espaço para essa saudade. O dia seria incrível. Um sonho. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde viria. “Mas se você soubesse como foi duro esse tempo sem você!”, pensa... “Não me torture mais assim” e ri sozinha no quarto, sentada na cama. “Porque eu te juro, de todas as coisas do mundo, eu só queria olhar pra você. Só isso!”, e então a mãe entra no quarto e diz: “calma, filhota!”, e ela ri um riso misturado com um tiquinho de vontade de chorar, e continua arrumando a mala.
Na janela aberta entra um ventinho gelado. Ela olha pro céu acinzentado e pensa “Que bom seria se o sol voltasse!”, e pensa positivo, porque se algo ela tem de forte é o pensamento. “Quero fazer alguma coisa. Botar uma música, esquecer do tempo.” E então ela lembra que a pele dele na dela arde. Que é isso! É ISSO!
E a vida continua... “Eu quero, de verdade, do fundo do meu coração, que chegue logo as nove da noite.”
A cada dois segundos ela olha janela afora, e enquanto isso se distrai com a unha feita e as novas cores do cabelo. Larga a mala falando sozinha e vai para a varandinha. O céu está cinza ainda. Olha pro carro e corre pra apressar tudo que o tempo urge.
Manda uma mensagem pelo celular. Não tem resposta (“...claro, celular não responde mensagem automaticamente”) E se sente sozinha... “mas em algum lugar do mundo eu sou a pessoa mais incrível do mundo. E olha que quem pensa isso é o melhor homem do mundo”, ela pensa, suspira, ri, e decide esperar o dia passar porque não tem outro jeito.
No carro, a estrada, o vento e a música deixam tudo mais simples. Ele alcançou seu destino. E chegou pra ela... “Eu senti meus pés tão fortes e meu rosto rosado, e gostei tanto de mim quando te vi. E gostei mais ainda de você. E lá no fundo eu entendi tudo. E quis dizer, mas não disse. É porque é do jeito que eu achei que era mesmo. Orgânico, dentro da gente.”, pensou tudo isso em um segundo. E ele sorriu discretamente.
Ela tem orgulho do homem que ele é. Abre a porta. Entra e fica. Pelo menos mais uns 250 anos e 3 zilhões de segundos. A eternidade é pouco quando tudo que se tem faz o corpo levitar, satisfeito. “Continue, por favor, continue respirando ligado em mim”. E ela lembra de quando ele disse “Eu adoro respirar você”. Sim, porque ele vive dizendo coisas inteligentes e delicadas. E ela não quer esquecer nada. E lá no fundindo ela pensa “se eu pudesse ser esculpida por você, o que você faria de mim?”
Ela não quer ir embora e no seu sonho mais maluco acaba escondida debaixo da cama até o próximo final de semana.

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