27.12.10

Absurdo

Outro dia me peguei pensando no absurdo que me fez feliz. Era justamente o absurdo.
O meu absurdo! Tão absurdo quanto eu sempre fui absurda na arte de sentir, e de pedir, e de dar.
Não escrevo coisa com coisa, às vezes. É que não entendo como coisas, talvez.
Eu sou prática, mas meu mundo é subjetivo.
Eu sei matematicamente o que me preenche, mas o amor não tem fórmulas.
E a saudade vem sorrateira numa segunda-feira sem graça que demora pra passar.
E aperta que parece que vai estourar.
Não quero ficar sozinha. Porque a solidão maltrata a minha autossuficiência.
Quero tudo pra ontem, às vezes. E são nesses dias que sinto mais falta.
Às vezes acho todo mundo meio bobo, meio chato, meio triste, quase de papel. E fico olhando assim, fixo, pro nada, só pensando... Às vezes falta assunto. Cabeça voa longe, longe. Quando dei por mim estava ai, do seu lado, relembrando o dia em que caímos naquela gargalhada e foi tão bom. Ou aquele outro em que ficamos horas no sofá falando da vida, da nossa, da dos outros, que acontece todo dia, sem freio.
Que os dias passem logo. E que depois passem devagar. E que eu possa me embriagar de você, e cair naquela risada gostosa, vestida de branco, em contagem regressiva para a vida que se inicia, e desta vez, não tem prazo para terminar.

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