27.1.10

E não é mais a mesma

Ela voltou diferente.  Dos pés à cabeça, não é a mesma. A cor da pele pintou a alma de dourado. A praia fez bem, e ela não é mais a mesma. Dos olhos cor de mar, e às vezes de céu, o brilho tomou conta. E ela chora e ri, igual, mas não é mais a mesma. Do caminhar leve, pés descalços, sente o calor que vem do chão e o frio que vinha de dentro, ainda é frio, mas ela não é mais a mesma. Das mãos cansadas de tanto pedir, agora descansam sobre a própria cintura em pose de pop star, que também não é mais a mesma. Do olhar que entregava tudo, continua entregando, mas mesmo assim, não é mais a mesma. Daquele amor incorrigível ficou a certeza de ser mesmo incorrigível. Mas ela não é mais a mesma. E nem o amor...
Dos passos cansados de tanto seguir outros passos, parou, e agora não é mais a mesma. Do jeito expansivo de querer sempre mais, nada mudou, mas ela mudou. Daquela pressa muitas vezes incompreendida, agora é calma e não mais a mesma. Daquele tempo que não queria perder, não é mais a mesma e não pode perder. Daquela consciência de que a vida não pára, descobriu não parar mesmo, e nunca mais a mesma.
Da paciência firme e decidida, veio a sede irresistível e impossível de conter. Ninguém a conterá mais, porque apesar de ainda ser ela, a bela e amante incorrigível, ela não quer mais o que queria. Ela não é mais a mesma. Ela voltou diferente.

13.1.10

Mar aberto, areia fina e água salgada

Não tem nada melhor no mundo que uma noite bem dormida, um amor bem resolvido, e um lugar reservado pra pensar na vida. Não há nada que transforme tanto quanto uma conversa boa. Olhos falam mais que a boca. Mãos dizem mais que palavras. Atitude fala por si só. Do contrário, fica sempre a sensação de buraco aberto em carne viva no peito. Mar aberto, areia fina, água salgada. Receita perfeita pra curar de uma dor, de um medo ou desamor. Quem nunca teve um desamor? O amor é o amor, não há nada mais importante nessa vida.

7.1.10

Sobre o meu 2009



O ano passou rápido demais. Eu bem que queria ter atropelado certas coisas. E as roupas de meses atrás já não me servem mais. Perdi alguns quilos. Os amigos continuam os mesmos, graças a Deus. Falta um pai sorridente tomando cervejinha nos fins de tarde. Falta uma pedaço do meu coração também. Os móveis da sala, mudei de lugar. Meu coração também está mudado. Os cabelos estão mais claros. A pele está mais bonita e jovem. A academia me vê com freqüência. O pilates minha maior aquisição de 2009. Aprendi a comer direito. Chorei muito de fome de alma, de quentura. Virei profissional. Depois de tanto ônibus, chuva e estresse, agora só vou de carro. Tem sacada no meu apartamento. Tem plantinhas na sacada. Vi muito pouco meus amigos em 2009 e isso vai mudar em 2010. Briguei muito com minha mãe. Mas a amo em dobro. Comprei cama de casal. Meu chuveiro é incrível, e é a gás, por isso não queima a resistência todo mês. Aprendi a cuidar de crianças. Meus sobrinhos são lindos. Mais que lindos, são inteligentíssimos. A faxina no armário já fiz, mas 2009 continua imperando no meu quarto. Aprendi a dizer não pra quem merece. E sim pra quem faz por merecer o meu amor, a minha dedicação, a minha educação e coisas boas. O amor ficou às vezes à beira do precipício. E não caiu. Quase despencava, mas ficou. Hoje é água, límpida. Estou aprendendo a gostar menos. Em 2010 vou ser menos para chegar mais longe. Quem me conhece de verdade me entende. E assim, continuará entendendo. Em 2009 cumpri a minha parte do trato até o fim, e por isso, agora é hora de me desapegar um pouco. Só um pouco. Eu juro.

29.12.09

Saindo da bolha

Um murro na boca! Era isso. Era disso que ela precisava. Se falar não adiantava e relembrar causava enjôo, então era de um murro na boca que ela precisava. Bem dado e no meio da boca, molhada e sedenta de amor.
Quem sabe assim ela não sai dessa bolha que não diz nada com nada e também não atende o celular. Até o Papai Noel já esgotou os conselhos de bom velhinho. Os amigos então, nem se fale. Ela tenta, gesticula, e cansada ela pergunta mais uma vez: “O que se faz numa situação dessas, amiga? O que?”
A amiga responde: “Só goste menos amiga. Só dessa vez, goste menos.”
E essa é a lição que ela levou para o Ano novo...
GOSTE MENOS. BEM MENOS.

21.12.09

Eu fiquei maluca

"Num dia triste de chuva, foi minha irmã quem me chamou pra ver. Era um caminhão, era um caminhão
carregado de botão de rosas. Eu fiquei maluca, por flor tenho loucura. Eu fiquei maluca. Saí. Quando voltei molhada,
com mais de dúzias de botão, botei botão na sala, na mesa, na TV, no sofá, na cama, no quarto, no chão, na penteadeira, na cozinha, na geladeira, na varanda e na janela. Era grande o barulho da chuva. Da chuva e eu fiquei maluca. Eu fiquei maluca."



Cássia Eller

11.12.09

Bons tempos aqueles...

Bons tempos aqueles.
A gente acordava com a casa em festa, cheia de gente, de alegria. Tinha o sorriso estampado na gente. E o brilho irradiava pela cidade toda. Era a casa mais visitada da cidadezinha. Todo mundo de bem passava por lá. Entravam trazendo uma grande saudade e saiam levando o coração cheio de alegria, carinho e esperança.
Tempos bons aqueles. Tempos bons.

7.12.09

Amiga de verdade

"...a distância beira à crueldade." M.A.S. Antonialli.

em conversa com um amiga muito querida que sente saudade tanto quanto eu.

4.12.09

Espatifada no chão



Ainda encontro um livro que explique o por quê da gente sonhar aquilo que não é pra sonhar. Não é pra sonhar. E daí? Quem inventou esse negócio de sonhar só podia ser ruim da cabeça. Mas pra que a revolta? Sonhar é bom? É bom nada filha de Deus! Só deixa a gente mais biruta. Depois do sonho incrível a gente acorda e é como se tivéssemos caído de um escada bemmmmmmmm alta. Agora estou eu aqui, espatifada no chão! Sem sonho, sem beijo, sem nada!






2.12.09

Torcida por você


Eu queria entender de onde veio essa minha necessidade de você. Não sei bem em que momento foi. Qual foi a atitude. Se foi um movimento. Uma palavra. Deve ter sido algum gesto. Ou pode ter sido sua voz. As suas mãos. Ou foi aquele jeito de piscar os olhos pra mim. Piscando um olho só, talvez. Não sei bem ao certo o que foi que você fez comigo, mas eu ficaria um ano mergulhada no seu olhar todo azul. E dormiria a vida toda em seu braço queimado de sol. E beijaria todos os dias o sorriso da sua boca. E te amaria pela primeira vez todos os dias...

1.12.09

Que me mata




Quero escrever sobre você pra ver se consigo me livrar dessa ansiedade em te querer sempre um pouco mais. Quero poder falar sem limites pra ver se assim aquieto um pouco essa minha vontade de dizer todas aquelas coisas. Eu vou escrever porque não posso falar. E não vou falar porque não saberia explicar. E nem meus olhos vão poder demonstrar porque aqui nas minhas pupilas dilatadas não existe disfarce. E daí seria tudo muito explícito. E você não poderia mais negar. E nem eu poderia mais me conter. E também não ia mais querer negar. Se eu pudesse te dizer tudo que criei nesta noite mal dormida! Se eu pudesse te pegar pela mão. Se eu pudesse não fugir do seu olhar...
Quero escrever pra você e ver se consigo me livrar dessa ansiedade. Ansiedade que um dia me mata, que me mata, e que me mata.

29.11.09

A gente só sabe que ama depois que precisou perdoar mil vezes.

26.11.09

Onde a magia acontece



Eu compreendi seu jeito de chegar atrasado e me sorrir meio sem jeito com o olhar apertadinho. Compreendi também aquelas interrogações todas que insistiam em correr pela minha corrente sanguínea. Eu falei. Gesticulei. Sorri muito. Abri meu peito pra você tocar meu coração e ver que é de verdade, que o meu sentimento é palpável. Eu disse verdades lhe contando alguns sonhos que tive. Todos não eram bem sonhos, mas sim desejos. Minha alma densa pesou na tua existência muito leve. E você me notou. E você me quis. E então sorriu. Eu sabia (porque a gente sempre sabe) que ia terminar assim. Ou melhor, eu sabia (porque a gente sempre sabe mesmo) que tudo ia realmente começar assim. E eu entendi você. E agora que o meu mundo está voltando a ser colorido, que eu estou voltando a ver o azul do seu olhar, eu quero mais ainda você aqui. Porque é aqui que a magia acontece.

19.11.09

A gente sempre sabe



A gente sabe quando as coisas voltam para o lugar. Porque a gente sempre soube onde é que elas deveriam ficar. A gente sempre soube que quanto mais mexido os sentimentos profundos, mais bagunça se há de ter depois. Porque existem coisas intocáveis, sentimentos inexplicáveis e pessoas que não saem nunca de nossas vidas. Há os sentimentos eternos. Lembranças que nunca, nunca ficam velhas. A gente sabe quando é hora de parar de falar. É quando mais se precisa ouvir com atenção. Os olhos pedem cuidado e dão brilho à vida. Os olhos pedem, eles são o melhor instrumento pra pedir. E pra agradecer. E demonstrar tristeza. E alegria. Porque a gente sabe ler o olhar quando a pessoa já mora dentro de você. Porque o olhar passa a ter uma linguagem própria pra você e aquele ser que mora dentro de você. Porque se conhecem. Porque a gente sabe a hora de ler o olhar. Porque é preciso. Porque nessa hora é a única coisa que resta. Porque a gente sabe quando é hora de parar de falar. Porque é quando a gente mais precisa ouvir com atenção.

23.10.09

Sonho bom...



Pai, hoje sonhei com você.
E o dia era azul e o seu abraço era mais quente que o sol.
Você me olhou nos olhos e não disse nada, só sorriu. Parece que Deus ouviu as minhas preces e deixou você voltar um pouquinho pra me dar mais um pouco dos seus olhos de mel e do seu sorriso que acalmava o meu coração. Renovou um pouquinho das minhas energias pra continuar... Hoje, com suas mãos que consertam tudo, ajudou mais uma vez meu coração partido, que precisa cicatrizar. Aquele sorriso com olhar de mel foi real, e aquele abraço não foi de despedida...
Que pena que de sonho bom a gente também acorda...

22.10.09

tem dia que simplesmente
dá vontade de evaporar...
depois eu volto!