16.6.09

Deleta! Deleta!

Não mais.

Ela não vai mais tolerar aquele jeito rompante dele de dizer o que pensa. Não vai mais aceitar suas desculpas de cabeça fria por quando esteve de cabeça quente. Ninguém perdoaria. Nem sabe ao certo qual a palavra correta pra identificar aquilo. Raiva. Frustração. Medo. Aflição. Impaciência. Imprudência. Segurança. Demais. De menos. Como pode querer que ela faça algo que ele não conseguiu fazer sozinho? Ninguém é de ferro, e o coração é feito de coisas macias. Não adianta afrontar! Ele quis preservar o seu novo mundo, então, por que ela estava errada de também querer preservar o dela?

Ele não entendeu! Nem a coadjuvante de toda a história. Ninguém entenderia! Uma loucura exigir dela aquela sinceridade tão insensata e sem razão àquela altura do campeonato. Podia ser qualquer coisa, menos isso. Podia ser qualquer pessoa, menos ele. Podia ser ciúme, sentimento de posse, inconformismo. Tudo, menos aquilo que ela não sabia dizer o nome. Ela não queria mais dedilhar palavras temendo as respostas. Ela era sincera, mas obtinha sinceridade demais, o que acabou queimando as beiradas. E queimando as beiradas perigava queimar o meio, e queimando o meio poderia perder tudo.

O coração dele devia estar intranquilo. Devia estar. Mas por que?

E ela, que achava que tudo acabaria bem, cadê?

Ele deleta! Ele costuma deletar!

Vai, enterra o passado e enterra ela junto!


Nenhum comentário: