13.7.09

Nó na garganta


Era um nó na garganta.

Daqueles, de tirar a fala, o ar, de perder a consciência.

Era um nó que nem lágrima desfez, uma bruteza que até ela duvidava.

Devia ter acontecido algo que feriu de morte aquele sentimento tão nobre e delicado que o tornara tão ranzinza e velho. Como árvore foi descascando aquela casca grossa e tentando lapidar o verde que ainda restava.

Aos poucos, devagar, foi tirando a velharia da estante e com um perfex novinho tentava lustrar as novas prateleiras da sua obra prima, tão nobre e tão mal amada.

Mal amada (do Aurélio: Imperfeição; Aflição; Lesão; Não bem; Imperfeitamente; Pouco, dificilmente, escassamente; apenas; Severamente; Com rudeza) e nobre, do Aurélio, Excelente; Ilustre, distinto; Honroso e apreciável; Magnânimo; Elevado, sublime...

Tinha dúvidas que não calavam, perturbada pela imensidão de possíveis respostas que poderiam ser ditas mas que ainda pairavam no ar.

Tira tudo da estante, vai. Joga tudo no chão. Joga e deixe quebrar. Passe a vassoura nos cacos e não recupere nada. Nem um caquinho irá te servir, nem uma lasquinha dessa sujeira. Porque a dois a vida é estranha mesmo.

Passa o perfex, remonta a história, e tenta de novo, de um outro jeito. Que jeito eu não sei, mas tenta de novo.

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